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Liberdade individual X regulação social

Os temas da diversidade sempre esbarram em questões de direito de liberdade individual e sua contra argumentação da necessidade de haver regulação da vida em sociedade.

Os temas da diversidade sempre esbarram em questões de direito de liberdade individual e sua contra argumentação da necessidade de haver regulação da vida em sociedade.

Mas qual seria o parâmetro para julgar quais regras seriam válidas para defender a liberdade individual e quais liberdades devem ser regulamentadas para uma melhor convivência social?
De fato, sem regras mínimas, mesmo que implícitas, como por exemplo, não furar uma fila qualquer, a ordem social estaria comprometida e atingiríamos um nível de qualidade de vida muito baixo. De outro lado, se todas as nossas ações forem reguladas pela sociedade não haveria possibilidade de diversidade e qual seria o sentido de ter uma sociedade de clones idênticos? Eu não conseguiria pensar em tal sentido.
Os extremos estão fora de cogitação, então voltamos a pensar: qual o parâmetro para decidir o que regulamentar e o que permitir como liberdade do indivíduo?
Penso que tal parâmetro seja o sofrimento dos semelhantes, para entender vamos analisar o caso do casamento de pessoas de mesmo sexo. Esse grupo, o de pessoas do mesmo sexo que querem pleitear o direito de se casarem no civil, em sua busca por esse direito, causa algum tipo de desconforto em muitas pessoas, vamos exagerar e dizer que temos como medir esse desconforto e que causa esse desconforto na maioria da população (os heterossexuais).
Assim, por se tratar de uma minoria, poderia ser fácil julgar que não poderíamos dar direito a uma pequena parcela da sociedade em detrimento da grande maioria, porem há alguns outros fatores que devemos analisar.
Primeiro, a que se deve esse desconforto? Como justificar eticamente a proibição do casamento de pessoas do mesmo sexo? Dificilmente se justificaria sem utilizar de dogmas religiosos, argumentos preconceituosos e outras falácias. Particularmente não posso pensar em nenhum argumento válido para satisfazer que tal desconforto seja justificável, portanto, se trata de um desconforto causado pelo que é diferente e desconhecido. Assim, com o tempo, se dermos essa liberdade a esta pequena parcela, o fato deixará de ser novo e diferente e assim deixará de causar desconforto. Então se trata de um desconforto temporário, em comparação com o sofrimento dessas minorias, notaremos que se trata de um sofrimento constante, pois levam as características de sua pessoa por toda sua vida. Enquanto não lhe é garantido ser quem é, essa pessoa irá sofrer continuamente e nada irá amenizar esse desconforto.
Segundo, qual o gral desse sofrimento ou desconforto? Não há como medir exatamente qual o desgosto que cada um passa nessas situações, mas podemos fazer uma comparação, não tenho os dados, mas podem ser analisados por cada leitor em seu conhecimento comum ou buscando em bases de dados própria, eu pergunto: quantos casos você conhece de pessoas que cometeram suicídio por ter visto dois homens se casando ou de mãos dadas? E quantos casos de suicídio você tem conhecimento de pessoas que se mataram por conta de algo relacionado à sua sexualidade repudiada pela sociedade? É evidente para qualquer pessoa minimamente instruída que o sofrimento da coletividade é muito inferior àquele dessas minorias.
Assim, ao conceder esse direito, a sociedade teria um desconforto pequeno e passageiro, enquanto ao negar esse direito, as minorias sofrem em alto grau sem cessar. Desta forma fica extremamente claro que conceder esse direito é o melhor para a sociedade em geral.
Veja que não é preciso se utilizar de nenhum outro argumento, como direitos igualitários, estruturas sociais, conflitos religiosos, discussões do que seria natural e antinatural etc.
Uma das maiores falácias usadas contra o argumento do sofrimento é o de contaminação social, ou seja, assim que fosse permitido o casamento homossexual, isso faria com que uma maior parte da população se tornasse homossexual e há quem diga o absurdo de que isso levaria a extinção da raça humana.
Isso é uma falácia, mas, por incrível que pareça, é preciso dizer o porquê. A sexualidade não é uma característica mutável, é o mesmo que dizer que todos os heterossexuais escolheram ter tal características, assim, seria fácil para essa pessoa simplesmente, sem mais nem menos, começar a sair com pessoas do mesmo sexo, então eu pergunto: você que é heterossexual vê algum problema em beijar na boca de uma pessoa do mesmo sexo?
Se realmente for heterossexual então não irá cogitar a possibilidade de beijar uma pessoa do mesmo sexo, isso porque não é algo que possa escolher, agora, como, se não pode fazer tal coisa, como se vê no direito de exigir que pessoa que são homossexuais beijem pessoas do sexo oposto? Não seria o mesmo que eles exigirem que você beije alguém do mesmo sexo?
Digo tudo isso para que entenda que a sexualidade não é algo que se escolhe, e tem um motivo de ser a minoria, pois se trata de uma diversidade natural imposta por nossa própria condição humana. E de forma nenhuma, nenhum direito adquiridos por essas minorias poderia gerar condições para transformar a sexualidade de qualquer pessoa.
Para continuar com a mesma falácia, os proponentes desse absurdo dizem que as crianças poderiam ser influenciadas por isso e desenvolver o homossexualismo.  
Para tanto cito o caso dos gêmeos canadenses, Bruce e Brian Reimer, um deles perdeu o pênis logo com pouco mais de um ano de idade e foi criado como menina (Brenda), quando chegou a adolescência tinha forte tendência ao suicídio e não era feliz como menina, no final ele se transformou novamente em David Reimer, ou seja, isso mostra que não se pode alterar o que realmente é natural na pessoa, assim um homossexual será tal não importa os esforços que sejam, feitos, do mesmo modo, os trangêneros como eu mesma, não podem ter seu gênero modificado por decreto nem por toda ciência conhecida.

Assim, em todos os casos semelhantes poderíamos fazer a mesma analogia do sofrimento e descobrir que proteger a minoria não é conceder direitos que favorecem apenas uma parte da sociedade e sim contribui para o bem estar geral.

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