Livre arbítrio
Esse é um tema muito complexo, vou separar em alguns artigos e limitar o discutido em cada um deles.
Para esse primeiro artigo eu vou refletir sobre o determinismo, que em geral declara que tudo o que ocorre e tudo o que ocorrerá já está determinado, seja pela cascata de causa e efeitos que são inevitáveis ou por determinação de uma entidade externa ou deus.
Os argumentos para isso são bons, vemos na biologia, na química, ma física, muitos princípios e leis que sempre agem da mesma forma, as causas sempre gerando as mesmas conseqüências, tanto que é possível prever o que ocorrerá com organismos, com reações químicas, com órbitas planetária etc com muita precisão.
Se formos extrapolar isso para tudo, então é fácil entender como o mundo poderia ser mesmo uma coisa inevitavelmente determinada, até seus pensamentos seriam conseqüência da interação total de todas as forças do universo, e não teria como ser de outro modo, até mesmo se pudéssemos prever o futuro e saber que vamos ser atropelados amanhã e evitarmos sair de casa, causando uma aparente mudança no futuro, na verdade já estava previsto que você usaria seu poder para ver que seria atropelado (se não tivesse poder) e então iria evitar o atropelamento.
E assim poderíamos citar infinitos exemplos de como nossa vida é muito determinada por tudo o que nos cerca. Claro que cada agente tem uma forma única de pensar e reagir a essas forças do universo, dessa maneira se torna difícil ou impossível prever as conseqüências para uma pessoa desconhecida, quanto mais para uma sociedade ou pior ainda a humanidade toda.
Mas temos que pensar até onde isso, embora pareça ser assim, realmente é assim. É complicado deixar a mente sem preconceitos para lidar com isso, pois de maneira geral as pessoas não gostam pensar que tudo é determinado e é inevitável o que irá acontecer no futuro. Não todas as pessoas porem, algumas encontram conforto em saber que é tudo determinado por um deus e que esse deus pode mudar esse destino conforme sua justiça.
Mas não vamos entrar pelo labirinto ainda de julgar se existe um plano deus, se existe um propósito em tudo isso, vamos deixar para outras oportunidades e voltar ao assunto do determinismo.
O futuro não está determinado, digo isso porque ele não existe, se o futuro não existe não pode estar determinado, o futuro é uma mera projeção das coisas que fizemos no passado e das ações de nosso presente, não vamos ao futuro, apenas passamos pelas conseqüências de nossas ações nesse presente, registramos em nossa memória (o passado), mas o futuro nunca chega.
E então o presente? É determinado? Para as coisas materiais sim, se colocamos fogo numa lata com álcool, ele vai queimar completamente, desde que não tenha nenhuma conseqüência de outras fontes que apaguem o fogo, podemos dizer com toda a certeza que realmente o destino daquele álcool é se queimar todo. Mas e quando as pessoas? Ai complica um pouco, pois as pessoas também são agentes determinantes, e por sua complexa funcionalidade ele acaba dando diferentes respostas para os mesmos estímulos, e isso é evolucionário, os animais que se comportam e respondem sempre igual ao mesmo estimulo podem facilmente ser devoradas por predadores, depois de milhões de anos “treinando” a diferenciação ficamos muito bons em evitar o óbvio.
Dessa maneira, mesmo que inconscientemente, tendemos a ter uma porcentagem de desvio das causas, quando queimamos o dedo, um dia xingamos outro ficamos quietos, outros gritamos, outro nem queimamos, nos tornamos uma máquina de evitação.
Dessa forma, embora o universo seja determinista, nós estamos continuamente tentando construir um modelo onde temos mais domínio sobre esse universo.
Claro que o que escolhemos para fazer com esse poder é muitas vezes determinado pela causalidade do universo que tentamos evitar.
Temos um livre arbítrio limitado. Limitado pelas coisas da existência, não podemos evitar a maioria das causas/conseqüências, não podemos evitar sermos influenciados por essas causas/conseqüências, mas dentro de um desvio possível, escolhemos de maneira imprevisível, mesmo que os resultados do que escolhermos o seja.
Podemos discutir, em continuação, como aproveitar ao máximo esse desvio, ou seja a liberdade que nos cabe.
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